O governo Lula acaba de divulgar uma nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços sobre as “medidas comerciais adotadas pelo governo dos Estados Unidos“. Na tarde desta quinta, o presidente Donald Trump anunciou a imposição de tarifas comerciais, confirmando o início da série de medidas que serão aplicadas contra parceiros e outras nações ao redor do mundo. Para o Brasil, a taxa estabelecida foi de 10% sobre os produtos importados pelos Estados Unidos.
“O governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano no dia de hoje, 2 de abril, de impor tarifas adicionais no valor de 10% a todas as exportações brasileiras para aquele país. A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos EUA perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os EUA”, diz o texto.
Segundo a nota, dados do governo norte-americano apontam que o superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil em 2024 foi da ordem de 7 bilhões de dólares, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a 28,6 bilhões de dólares no ano passado. “Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo”, diz o texto.
“Uma vez que os EUA registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando 410 bilhões de dólares, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a ‘reciprocidade comercial’ não reflete a realidade”, acrescenta o comunicado.
“Em defesa dos trabalhadores e das empresas brasileiros, à luz do impacto efetivo das medidas sobre as exportações brasileiras e em linha com seu tradicional apoio ao sistema multilateral de comércio, o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos”, complementa a nota.
Os ministérios afirmam ainda que, ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, “o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais”.
No fim da nota, o governo destaca a aprovação pelo Senado, nesta terça, do projeto de lei da reciprocidade econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados.
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