Giulia Be tinha apenas 17 anos quando tomou uma decisão ousada: não fazer faculdade e arriscar a carreira de artista. A aposta deu resultado. Ganhou os holofotes com o single Menina Solta, em 2019, que hoje acumula mais de 250 milhões de plays no Spotify, e se consolidou na cena pop brasileira ao ser indicada ao Grammy Latino dois anos depois. De lá para cá, a cantora carioca de 25 anos, filha do empresário Paulo Marinho, não parou. Decidiu se aventurar pelo universo das telonas, e estrelará em janeiro de 2026 As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você (Paris Filmes) – além de ser responsável pela trilha sonora do longa baseado no livro homônimo de Fernanda de Castro Lima. Também dobrou a aposta e decidiu se internacionalizar, tendo assinado, no ano passado, contrato com a Sony Music. Nessas andanças, conheceu Connor Kennedy, caçula do clã político mais emblemático dos Estados Unidos, e não demorou até que viesse o pedido de casamento. A VEJA, ela revelou detalhes sobre o relacionamento e a vida a dois, a grande festa marcada para 29 de novembro, o trabalho com a temida e admirada preparadora de atores Fátima Toledo, e os próximos passos na frutífera carreira – que, segundo disse, só está começando.
“Tive medo que Connor fosse um catfish“
Conheci a irmã do meu noivo por acaso, em uma viagem ao México. Ela me falou do Connor, meio que tentou bancar o cupido, mas ficou por isso. Não chegamos a nos encontrar pessoalmente nessa viagem, mas ele ficou ali no meu subconsciente. Nessas vindas e vindas do Instagram, ele me seguiu, o segui de volta, e começou uma troca de mensagens. Primeiro no Insta, eventualmente eu mandei pra ele meu WhatsApp – que ele precisou baixar, porque gringo normalmente não usa. Eu fui a primeira conversa dele no Whats.
A primeira mensagem que ele me mandou na vida foi depois que eu tive um episódio em que desmaiei e bati a cabeça, fraturei o crânio logo antes de gravar o filme Depois do Universo, em 2022. Foi um momento tenso na minha vida. Fiz um post agradecendo meus fãs pela preocupação, assegurando que estava tudo bem, e ele viu. Em seguida, mandou a mensagem: “Oi, aqui é o Connor, eu espero que esteja tudo bem com sua cabeça.”
A partir daí, começamos uma conversa intensa. Não que nos falássemos toda hora, às vezes ficávamos uns três dias em silêncio, mas quando sim, eram cem mensagens cada vez. E cobrimos de tudo, desde os assuntos mais profundos da vida a curiosidades aleatórias. Foi incrível. Criei uma conexão com ele que, se a inteligência artificial já tivesse sido inventada naquela época, eu podia jurar que era um robô, sabe? Ele brincava que as mensagens pelo WhatsApp eram cartas de amor.
Já eram seis meses nos falando, ele tentava arrumar algum motivo para vir ao Brasil, quando recebi um convite da revista americana Galore para fotografar uma capa em Los Angeles. Pensei: “Vou aproveitar e ir duas semanas antes, para me acostumar com o jet lag.” Mas era só para ver o Connor. Já estava completamente apaixonada. A sensação que eu tinha era: ou esse cara vai ser um belo de um catfish, ou vou conhecer o amor da minha vida. E foi a segunda opção, graças a Deus.
Depois do primeiro beijo, nunca mais desgrudamos. Em três dias, já virou namoro. O pedido de casamento veio pouco mais de dois anos depois.
“Estraguei o pedido de casamento”
Estava saindo do estúdio depois de um dia difícil de gravações – graças a Deus, pelo menos tinha feito uma escova, uma make, estava com uma botona de salto, estava bem –, e liguei para o Connor avisando que estava voltando para casa. Foi então que ele me pediu para, antes disso, dar uma passada na casa nova que tínhamos alugado juntos em Los Angeles, para onde íamos nos mudar. Inventou uma história de que precisava da minha ajuda para carregar uns móveis que acabaram de ser entregues. Achei estranho, mas falei que tudo bem.
Chegando perto da casa nova, voltei a telefonar, porque havia algo de esquisito. Todas as luzes estavam apagadas. Liguei várias e várias vezes, e nada dele atender. Comecei a me preocupar, meu coração batia mais forte. No auge da minha apreensão, já com pensamentos mirabolantes de que ele tinha sido sequestrado, ou que teve uma reação alérgica severa a amêndoas e estava desmaiado, encontrei a porta da frente trancada. Tive que entrar por trás. Já coloquei o número 911 a postos no celular, caso tivesse que acionar a polícia.
Entrei, fui caminhando devagar, no estilo “Sherlock Holmes”, quando dei de cara com uma profusão de velas. Não entendi nada. Só começou a cair a ficha quando vi o Connor lá no meio. Ele é a pessoa menos ligada em vídeo, foto e câmeras da vida. Mas quando me viu chegando pelo lugar errado, só conseguiu exclamar: “Você estragou todos os vídeos! Eu tinha colocado todos os celulares virados pra a porta da frente!”
Para não dizer que estraguei todos, a câmera do notebook pegou o momento. Ele ajoelhou e disse: “Eu te amo desde o segundo que te conheci. E quero te amar para o resto da nossa vida.” Nesse ponto, já tinha falado “sim” antes mesmo dele perguntar. Eu chorava, chorava, chorava. A gente se abraçou, ficamos muito tempo agarrados. E curtimos a noite ali mesmo. Entenda como quiser…
“Pode ter torneio de altinha depois dos votos”
O casamento vai ser muito diferente. Estou até com medo, porque os americanos não estão acostumados a uma festa desse jeito. Muitos convidados nunca viram uma mesa de doce sequer, não entendem o conceito. Que tristeza pra eles, né? Estou muito animada para introduzir o nosso jeitinho brasileiro de comemorar, de ser uma grande família.
Também quero adaptar algumas coisas da cultura americana. Por exemplo, nos Estados Unidos, as madrinhas todas usam uma cor só. Decidi ficar no meio do caminho: fazer uma paleta de cores pras madrinhas, não precisa ser tudo igual. Cada uma tem que ter a sua própria bossa.
Além disso, a família do meu noivo é muito competitiva. Então, eles sempre fazem algum tipo de jogo. No casamento da prima do Connor, teve uma corrida de barco a vela, da família do noivo contra a família da noiva. Vai ser complicado encontrar um lugar para velejar aqui, mas pensei em um torneio de vôlei, futebol, uma altinha… (risos). Fazer uma coisa bem brasileira.
Acho que os convidados do Connor estão todos muito animados pra conhecer o Brasil. Todo mundo quer um motivo para vir pra cá, e acho que um casamento é a desculpa perfeita.
“Fátima Toledo não é tão rígida quanto dizem por aí”
Transitar da música para as telas é complexo, mas não diria que tenho dificuldade. Meu processo musical sempre foi muito solitário, escrevo minhas canções sozinha, ou com meu irmão. Depois, é preciso passar sua visão do projeto para a equipe , o que envolve muita responsabilidade. Em paralelo, uma das coisas que mais gosto da atuação é fazer parte de um coletivo. Nada acontece com você sozinho, o filme não é sobre uma pessoa só. É preciso muitas peças pra fazer aquele quebra-cabeça funcionar.
O elenco de As Dez Vantagens de Morrer Depois de Você, em especial, está sendo maravilhoso. A preparação é com a Fátima Toledo, que fez Cidade de Deus e Central do Brasil. Tem sido um grande aprendizado ir todos os dias para a preparação e olhar para lugares diferentes dentro de mim, criar um repertório e poder trocar com artistas como Sheron Menezzes, que eu admiro há muito tempo, e a própria Any Gabrielly, que é minha amiga na vida real e também interpreta a melhor amiga da minha personagem no filme. Independentemente do veículo, do formato, ser artista significa se permitir transbordar.
A Fátima não é tão rígida quanto dizem, fiquei feliz em descobrir. Lembro do primeiro dia de preparação: estava com medo e, quando cheguei e vi uns rolinhos de madeira no chão, fiquei preocupada. Mas acabou que era só para fazer massagem no pé (risos). Foi uma quebra de expectativa muito grande. Ela é uma querida, uma geminiana. E gosto de professoras que tiram o melhor de mim. Sempre fui uma aluna bem CDF, então estou adorando fazer preparação com ela. É óbvio que ela nos deixa só o bagaço emocionalmente. Sua técnica é muito baseada na bioenergética, então você acessa partes do seu corpo e sentimentos que não está acostumado a trabalhar. É quase que uma terapia. Uma terapia da hardcore, eu diria.
“Existe uma prenoção do que significa ser uma popstar brasileira”
Das artistas contemporâneas que tiveram sucesso em se internacionalizar, Anitta é uma das que mais admiro. Acho que teve tamanho sucesso só porque mostrou a verdade dela. Se desdobrou ao avesso e mostrou para o mundo sua história, sua cultura.
Mas assim como quando Carmen Miranda ganhou o mundo em 1945, e as pessoas acreditavam que todas as brasileiras andavam com frutas na cabeça, o sucesso de Anitta criou uma prenoção do que é uma popstar brasileira. Meu trabalho, agora, é conseguir criar meu próprio caminho, minha própria história.
Tenho muita, muita admiração por essas duas mulheres que tiveram êxito, que abriram portas para o mundo olhar para o Brasil de outro jeito. Mas tenho vontade de desmistificar certas coisas. Tenho vertentes diferentes da minha carreira, e está sendo um desafio maior ainda compor, além do português, em espanhol e inglês. Sou muito das baladas tristes no piano, canções que talvez não acompanhem o imaginário brasileiro com o qual as pessoas estão mais acostumadas.
“LA é muito solitária”
Los Angeles é uma cidade muito difícil, morar lá continua um desafio. É complicado fazer amigos, muita gente tem segundas intenções por viver no epicentro de Hollywood. Algumas trocas acabam sendo muito superficiais.
Quando vou a eventos e festas e conheço pessoas que já admirei um dia, é um choque perceber que, pessoalmente, elas não são tão incríveis quanto nas telinhas. É uma cidade solitária, fora que você precisa ter carro pra fazer qualquer coisa. Me dá muita saudade de estar em São Paulo, onde é possível caminhar e pegar metrô para tudo.
Tenho muita sorte de ter o Connor e sua família lá. Realmente criei uma base pra mim. Não ter isso seria muito difícil, mesmo com os lados positivos, como as oportunidades de Los Angeles. De repente, você pode trombar na rua uma pessoa que pode conhecer tal fulano, que te apresenta tal ciclano. É um eterno networking.
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