4 de abril de 2025

Israel está ‘tomando territórios’ para ‘dividir’ G…

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira, 2, que as forças do país estão “tomando território” e que planeja “dividir” a Faixa de Gaza, de forma a criar um corredor de segurança controlado pelo governo israelense. A declaração ocorre poucas horas após o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciar que o Exército pretende expandir a guerra contra o Hamas, iniciada em outubro de 2023, a fim de tomar “grandes áreas” no enclave palestino.

Líder de um dos partidos ultrarreligiosos de extrema direita que sustentam o governo de Netanyahu, Katz defende que Israel deve controlar o território para combater o terrorismo, uma noção que vai contra o direito internacional, além de afastar ainda mais a solução de dois estados com a criação de um país para os palestinos.

“Hoje à noite, mudamos de marcha na Faixa de Gaza. O Exército está tomando território, atacando os terroristas e destruindo a infraestrutura”, disse o premiê em declaração de vídeo. “Também estamos fazendo outra coisa – tomando a ‘rota Morag’. Esta será a segunda rota Philadelphi, outra rota Philadelphi”, acrescentou ele, referindo-se a um corredor controlado por Israel na fronteira Egito-Gaza.

“Como estamos atualmente dividindo a faixa, estamos adicionando pressão passo a passo, para que nossos reféns nos sejam entregues.”

Morag era um assentamento judeu que ficava entre Rafah e Khan Younis. O nome sugere, portanto, que um novo corredor foi estabelecido para separar as cidades ao sul. Após a eclosão da guerra, as Forças de Defesa de Israel (FDI) passaram a controlar zonas-tampão, como são chamadas áreas desmilitarizadas que dividem dois territórios, ao redor de Gaza. Ao todo, os soldados israelenses tomaram 62 km², ou 17% do território, desde 7 de outubro de 2023.

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Promessas de Katz

A partir de segunda-feira, 31, Tel Aviv passou a emitir alertas para que os palestinos saiam do sul da Faixa, para onde a população de outras áreas foi enviada por orientação prévia das forças israelenses. No momento, Israel amplia as operações em Gaza. Nesta manhã, Katz afirmou que a ofensiva estava “se expandindo para esmagar e limpar a área de terroristas e infraestrutura terrorista e capturar grandes áreas”.

Segundo ele, que não ofereceu muitos detalhes, esse território seria adicionado às “zonas de segurança” do estado de Israel. A ação foi condenada pelo Fórum de Famílias de Reféns. Segundo a organização que reúne parentes de pessoas capturadas pelo Hamas no início da guerra, em 7 de outubro de 2023, o governo Netanyahu passou a ver retorno de 59 cativos ainda mantidos em Gaza como “uma tarefa secundária” que havia sido “empurrada para o fim da lista de prioridades”.

“Expandir a operação esta manhã aumentará a pressão sobre os assassinos do Hamas e também sobre a população em Gaza e avançará na conquista do objetivo sagrado e importante para todos nós. Peço aos moradores de Gaza que ajam agora para remover o Hamas e devolver todos os reféns. Esta é a única maneira de acabar com a guerra”, argumentou o ministro, na contramão do pedido das famílias.

Um ataque aéreo a uma clínica de saúde em Jabaliya matou ao menos 19 pessoas nesta quarta-feira, entre elas nove crianças, de acordo com a agência de defesa civil palestina. A UNRWA, a agência das Nações Unidas para refugiados palestinos, disse em comunicado que a explosão atingiu “dois quartos no primeiro andar de um centro de saúde destruído”. O local servia de abrigo para 160 famílias.

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