Trump apresentou números extravagantes no anúncio do tarifaço global. De cara, ninguém entendeu. É que a Casa Branca simplesmente inventou uma fórmula para calcular quais seriam as “tarifas reais” que outros países impõem aos EUA.
Vamos olhar o caso da China, bem emblemático. A média das tarifas que o Império do Meio impôs aos EUA nos últimos anos foi em torno de 20%. No tabelão que Trump apresentou na quarta (2) aparecia outro número, bem maior: 67%. Veja aqui, na coluna azul à direita:


De onde veio isso?
Vamos à fórmula. O governo americano pegou o superávit comercial da China com os EUA em 2024, ou seja, o tanto que os chineses venderam a mais para os americanos na balança comercial entre os dois países. Dá US$ 295 bilhões.
Então puxaram o total de exportações chinesas para os EUA (US$ 438 bilhões), e dividiram o número menor pelo maior. Quanto deu? 0,67. 67%.
Ficou estipulado, então, que “a China cobra 67% dos EUA”. Para “retaliar” esse número fantasioso, e de forma “moderada”, como Trump fez questão de salientar, estipularam que a nova tarifa para a China seria a metade aproximada de 67%: 34%.
Vamos para o caso da União Europeia agora.
Superávit da UE com os EUA: US$ 235 bi.
Exportações da UE para os EUA: US$ 605 bi.
Razão superávit/exportaões: 0,388.
Voilá: 39%. E uma nova tarifa EUA X UE de metade disso: 20%.
Aplicando essa mesma fórmula ao Brasil, o resultado seria um número negativo – porque não temos superávit com os EUA, mas sim um pequeno déficit. Em termos práticos, os produtos daqui teriam tarifa zero lá.
Mas não é o que aconteceu, claro. A Casa Branca estipulou 10% como “tarifa mínima”. E aí os países com déficit na balança comercial em relação aos EUA ficaram nesse grupo – foi o nosso caso.
É isso. Agora aguardemos cenas dos próximos capítulos desse vale tudo tarifário.
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