Milhares de húngaros voltaram às ruas nesta semana para protestarem contra uma lei que proibiu a parada gay no país, uma medida que é vista por críticos do governo como parte de uma repressão mais ampla às liberdades democráticas. Entre os cantos entoados nas manifestações estão alguns pedindo a queda do primeiro-ministro da Hungria, o ultradireitista Viktor Orbán.
Agitando bandeiras húngaras e do arco-íris e segurando cartazes com os dizeres “Chega de mentiras” e “Fora Orbán! Queremos democracia”, mais de 10 mil pessoas se reuniram no centro de Budapeste na terça-feira, dia 1º, de acordo com a agência de notícias AFP.
O parlamentar independente Akos Hadhazy, um dos organizadores dos protestos, disse que o movimento de rua “não vai parar até que a lei seja revogada”, chamando a legislação que proibiu a a marcha do orgulho de “tecnofascista” e foi inspirada em regras semelhantes na China e na Rússia.
Milhares de pessoas protestam em Budapeste após o primeiro-ministro da Hungria,Viktor Orban, aliado de Putin, proibir a parada do orgulho LGBTQIA+. Manifestantes tomaram pontes e vias da cidade e pedem a queda de Orban. A polícia recuou. pic.twitter.com/9QpGPVPLTx
— Renato Souza (@reporterenato) April 2, 2025
💥🪧Happening now in Budapest:
Anti-government protesters have occupied four bridges, opposing Viktor Orbán’s crackdown on freedom of assembly under the guise of “child protection.”
Though aimed at the Pride march, Orbán’s law threatens banning any kind of protests or rally. pic.twitter.com/0nrNLesdkg
— Szabolcs Panyi (@panyiszabolcs) April 1, 2025
Defiant, colorful and proud, thousands of Hungarians marched for Budapest Pride while protesting the far-right policies of Prime Minister Viktor Orban. pic.twitter.com/SgpFua4ntC
— The New York Times (@nytimes) July 25, 2021
While the anti Orban-regime protesters now blockade 3 bridges, the police try to push them off.
Translation might not be required, but the protesters chanting:
“ORBÁN VIKTOR A KURVA ANYÁD” pic.twitter.com/kqYtn3xKoz— SzabadonMagyarul 🇬🇧🇭🇺🇺🇦🇪🇺 (@SzabadonMagyar) April 1, 2025
Proibição
O líder do país, que governa desde 2010 com uma agenda cristã-conservadora, ficou conhecido pelas críticas à comunidade LGBTQIA+ e pelos entraves ao financiamento de ONGs e da imprensa independente. No mês passado, seu partido, o Fidesz, que domina o Parlamento, aprovou uma lei para proibir a marcha do orgulho gay.
A nova regra altera a Lei de Reunião Pública da Hungria, determinando que eventos que violem a controversa “lei de proteção infantil” — que bane qualquer forma de “promoção” da homossexualidade para menores de 18 anos — serão automaticamente proibidos. Quem descumprir a medida poderá ser multado em até 200 mil florins húngaros (cerca de R$ 3.120).
A lei diz ainda que a polícia pode usar câmeras de reconhecimento facial para identificar pessoas que comparecem à marcha e impor multas aos participantes. Críticos afirmam que as medidas podem se tornar uma ferramenta para atingir os oponentes políticos de Orban, que tem enfrentado cada vez mais oposição e olha com preocupação para as próximas eleições, em 2026.
Orbán minimizou as alegações, afirmando que o mero fato de que manifestações são permitidas, como a que aconteceu na terça-feira, dia 1º, em Budapeste, contra a proibição da parada gay, significa que não há ameaça à democracia. Ele qualificou os protestos como uma “provocação”.
Reação
No entanto, um grupo de embaixadas em Budapeste expressou preocupação com as mudanças.
“Nós, as Embaixadas abaixo assinadas, estamos profundamente preocupados com a legislação que resulta em restrições ao direito de reunião pacífica e à liberdade de expressão”, disseram 22 embaixadas, incluindo França, Alemanha e Reino Unido. Os Estados Unidos não estavam entre os signatários. Donald Trump é considerado um aliado de Orbán.
Depois que os legisladores apresentaram o projeto de lei, Máté Hegedűs, porta-voz da Parada do Orgulho, afirmou que o evento “é um movimento que não pode ser silenciado.” Os organizadores destacaram que a marcha que ocorre há três décadas pela Avenida Andrassy, uma rua larga no centro da capital, não representa qualquer ameaça às crianças e que sua proibição fere o direito constitucional de reunião em espaços públicos.
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