Cinco dias após um terremoto de magnitude 7,7 devastar Mianmar, deixando quase 3 mil mortos e milhares de desabrigados, a junta militar que governa o país anunciou nesta quarta-feira, 2, um cessar-fogo temporário, válido até 22 de abril, para “acelerar os esforços de ajuda e reconstrução”. Até esta terça, ataques militares contra grupos rebeldes não haviam cessado mesmo após o desastre mais mortal do país em anos.
O tremor, que atingiu principalmente a região central de Mianmar na última sexta-feira, 28, impactou cerca de 28 milhões de pessoas, destruindo prédios, comunidades e interrompendo o fornecimento de alimentos, água e serviços básicos. Pelo menos 2.886 pessoas morreram, cerca de 4.500 ficaram feridas e centenas ainda estão desaparecidas. Agências humanitárias estimam que 10 mil pessoas podem ter morrido. O terremoto também foi sentido em países vizinhos, como a Tailândia, onde o número de mortos já chega a 21.
Equipes da Cruz Vermelha e de Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertam para o risco de surtos de doenças, agravado pela escassez de infraestrutura médica e de saneamento.
“A falta de água potável está criando um problema de sobrevivência imediata e pode resultar em epidemias que queremos evitar”, afirmou Mikhael De Souza, coordenador de campo de MSF. Há relatos de um cheiro fétido nas cidades mais atingidas, em razão dos corpos presos nos entulhos.
Apesar da catástrofe, os combates entre a junta militar e grupos rebeldes não cessaram. A Anistia Internacional denunciou que ataques aéreos foram realizados nos dias seguintes ao terremoto, incluindo em áreas devastadas pelo tremor. Além disso, na terça-feira, 2, soldados abriram fogo contra um comboio da Cruz Vermelha Chinesa que transportava suprimentos para vítimas do desastre. O governo militar alegou que os veículos ignoraram sinais para parar.
Guerra civil
A crise se desenrola em um país já fragilizado por uma guerra civil que se arrasta desde o golpe militar de 2021, que derrubou o governo democraticamente eleito de Aung San Suu Kyi. A instabilidade política e econômica aprofundou a vulnerabilidade da população, tornando a resposta ao terremoto ainda mais caótica. Embora tenha anunciado um cessar-fogo, a junta afirmou que seguirá com “atividades de defesa contra terroristas”, lançando dúvidas sobre a real intenção da trégua.
Em meio a destruição e aos conflitos, a busca por sobreviventes persiste. Em Mianmar, um homem de 26 anos foi resgatado com vida nesta quarta-feira após cinco dias soterrado nos escombros de um hotel. O jovem, que não teve a identidade revelada, foi encontrado por equipe de socorristas de Mianmar e da Turquia nas ruínas do edifício na capital, Naypyidaw.
O chefe da junta militar, general Min Aung Hlaing, se prepara para viajar nesta quinta-feira, 3, à Tailândia para participar de uma cúpula econômica regional. Banido das reuniões da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e alvo de sanções internacionais, Hlaing busca apoio externo em meio ao desastre em Mianmar.
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