3 de abril de 2025

Após anos de oposição, França faz primeiro aceno f…

Notória opositora do acordo entre União Europeia e Mercosul, a França deu um primeiro aceno favorável ao pacto comercial. Seu ministro das Finanças, Éric Lombard, disse que é preciso “apressar” as discussões sobre o pacto comercial diante da ameaça de tarifaços dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira, 2, espera-se que o presidente americano, Donald Trump, implemente uma série de novas taxas que devem acirrar a guerra comercial.

“Nós reconhecemos juntos que essa dificuldade, que corre o risco de atingir o comércio internacional, deve nos conduzir a apressar as discussões em favor do (acordo com o) Mercosul”, afirmou Lombard na terça-feira, dia 1º, após encontro com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele frisou, no entanto, que a França mantém sua postura de oposição ao pacto.

Ajustes

O ministro das Finanças francês afirmou que, durante a conversa com Haddad, houve convergências nos objetivos de desenvolver o multilateralismo, e que “o projeto de acordo com o Mercosul está incluído nisso”. Fez a ressalva, porém, que “hoje as condições não estão reunidas” para a França apoiar a medida.

“Falta-nos um certo número de ajustes, que dizem respeito principalmente a questões de pegada ecológica na área industrial, e também temas relativos à agricultura”, afirmou.

+ Por que a França se opõe ao acordo entre Mercosul e União Europeia

Haddad, que também almoçou com empresários franceses e se disse otimista com os projetos de investimentos da França no Brasil, em particular na área de inteligência artificial, ecoou: “Nós identificamos algumas pendências, alguns obstáculos ainda. Vamos trabalhar neste mês para que essas questões sejam superadas e nós possamos ter um grande encontro.” Há uma nova reunião entre os dois países prevista para o mês que vem, na França.

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Novo fôlego

O acordo comercial foi assinado pelos dois blocos em dezembro passado, em Montevidéu, no Uruguai, mas sua implementação ainda depende da aprovação de outras instâncias da União Europeia. Sob pressão de agricultores locais, receosos da concorrência dos produtos sul-americanos, o governo francês declarou ser contra o pacto. Tecnicamente, a França precisa do apoio de pelo menos outros três países da União Europeia para um veto, mas há alternativas para impedir que o acordo entre em vigor.

Os tarifaços, de Trump, porém, devem dar novo fôlego às negociações entre o Mercosul e países europeus, que buscam diversificar parceiros comerciais em meio a uma guerra comercial.

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