Suburbanas é o 1º grupo feminino do gênero no Estado; elas se apresentam neste domingo, no Campão Cultural

Com oito artistas, um misto de ritmos e gêneros musicais e três objetivos: ocupar, resistir e transformar. Foi assim que nasceu, em 2023, o primeiro grupo de Hip Hop feminino pantaneiro de Mato Grosso do Sul. Chamado de Suburbanas, as meninas da periferia querem fazer com que as minas pertençam a algum lugar, especialmente à cultura Hip Hop.
Formado por Serena MC, Perséfone MC, DJ Lattyna, B-girl Lorra, Teka no grafite e loker, Lua Mendes no freestyle e na poesia Jéss, elas apresentam, ao mesmo tempo, leveza através de palavras e afrontam a sociedade com assuntos fortes como pedofilia, racismo e violência contra mulheres.
A produtora cultural e poetisa Jéssica Cândido de Oliveira, conhecida como Jess, conta que o projeto foi criado por ela e que Serena incentivou a comunidade a participar.
“Estar num coletivo feminino e produzir dentro da Cultura Hip Hop precisa de muita força para permanecer e isso nós temos. Apesar de levar muito tema pesado, a gente leva muita leveza. Conseguimos levar por meio da arte temas que são importantes para permanência e vida de pessoas que precisam se ver e pertencem à cultura. O coletivo nasceu para as minas pertencerem e afrontar”.
O grupo é composto por mulheres negras e indígena e Jess vê isso como essencial, já que historicamente, a cultura Hip Hop também possui em seu legado inúmeras mulheres que estavam lado a lado dos homens criando e fazendo a manutenção dela.

“Continuamos contando a história e trabalhando em prol dessa Cultura que transforma vidas e sobretudo a periferia, de uma forma abrangente, sempre exaltando e afirmando que o Hip Hop é morada de pessoas LGBTQIAPN+, indígenas, mulheres cis e trans”.
Para Amanda Lima da Silva, conhecida como Serena MC, o grupo significa resistência dos elementos e de mulheres dentro de uma cultura apagada e masculinizada.
“Em um estado genocida é a voz do povo pantaneiro através do hip-hop, a expectativa é que a nossa mensagem de direito a existência chegue nas pessoas de comunidade”.
De 2023 para cá, as meninas não pararam. Se apresentaram no Festival Afronta, no Duelo Estadual de MC’s. Outros eventos já sentiram a força do grupo que traz na essência todos os elementos do Hip Hop – breaking, DJ, MC, e graffiti. A mensagem é direta: Hip Hop é resistência, é transformação e revolução.
Este ano elas se apresentam no Campão Cultural, no dia 30 de março, no Parque Jacques da Luz. A apresentação começa às 15h. A produção é de Camila Maiara e a cobertura audiovisual de Muriel Xavier. Dessa vez, a apresentação conta com duas representantes de Corumbá, TK e Loja.
Lorrainny Moura da Silva, a B-girl Lorra de Corumbá conta que fazer a conexão com as minas de cidades do interior é fazer com que elas se sintam acolhidas e importantes.
“Com esse trabalho sendo desenvolvido temos muita troca de informações e vivências e muito aprendizado pois somos 8 mulheres e cada uma com um seguimento sendo Dj, grafitte, breaking, MC e o conhecimento, levando a cultura Hip Hop para os bairros de periferia. Mulheres sempre vão se sentir confortável e acolhida por outras mulheres e isso é um dos pontos importantes do nosso coletivo”.
Jess ressalta que as minas que quiserem fazer parte do coletivo são bem-vindas. O intuito é que seja um lugar bom e de oportunidades para todas.
“A expectativa é a melhor possível, pois será em uma comunidade, em um parque em que as pessoas do bairro frequentam e esperamos levar o melhor da cultura Hip Hop com todos os elementos numa apresentação pensada com muito carinho e força. Será vibrante, cheia de energia, identidade e muita entrega. O Hip Hop das ruas para o palco, das rimas para a vida”.
A programação completa do Campão Cultural você confere neste link.
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