31 de março de 2025

Maior acionista do Toky (ex-Mobly) pede fim de ‘poison pill’ em aceno aos Dubrule

Em mais um capítulo na disputa entre os fundadores da Tok&Stok e a atual controladora da varejista, Grupo Toky (antiga Mobly), a alemã home24 embaralhou o jogo. Maior acionista do Toky, com 44,38% das ações do grupo, ela solicitou a remoção do estatuto da companhia de cláusulas que dificultam a aquisição da empresa.

A proposta da home24 eliminaria a chamada “poison pill” que obriga compradores que atinjam 20% de participação a fazer ofertas para todos os acionistas, além de retirar a obrigação de pagar o prêmio de 20% atualmente exigido nessas ofertas. A proposta será votada na assembleia de acionistas do Toky, prevista para o dia 30 de abril.

O pedido ocorre semanas depois de a família Dubrule, fundadora da Tok&Stok, fazer uma oferta para comprar o controle do Toky. Em fevereiro, eles ofereceram R$ 0,68 por ação da companhia para comprar pelo menos 50% do grupo. A retirada das cláusulas “anti-aquisição” é uma das condições para que a família siga em frente com a oferta pública de aquisição (OPA).

O preço proposto na época era metade do valor de negociação do papel. A justificativa era de que os dados financeiros da empresa não permitem uma avaliação de mercado (“valuation”) precisa. Se bem-sucedida, a OPA pode custar cerca de R$ 58 milhões aos fundadores.

Loja da Tok&Stok Loja da Tok&Stok
Loja da Tok&Stok (Divulgação)

A disputa tem raízes no turbulento casamento entre a Tok&Stok e a então Mobly. Em meados do ano passado, a gestora SPX, então controladora da Tok&Stok, forçou uma fusão com a ex-Mobly contra a vontade dos Dubrule, que fundaram a empresa quatro décadas atrás. Agora, os fundadores contra-atacam, buscando recuperar seu legado através de uma oferta considerada hostil.

O conselho de administração do Toky já se posicionou contra a proposta, alertando que o pedido de seu acionista majoritário “destrói valor” e deixa a empresa vulnerável. Adicionalmente, a administração afirma que acionistas detentores de 40,6% do capital já rejeitaram a oferta dos Dubrule, potencialmente inviabilizando a transação.

Os Dubrule, que inicialmente buscavam 69,2% do capital, já reduziram sua ambição para 50% mais uma ação, e enfatizam que o Toky “carrega endividamento superior a R$600 milhões e não gera lucro desde seu IPO.”

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