Líderes europeus reagiram com consternação nesta quinta-feira, 27, e prometeram medidas retaliatórias após o presidente americano, Donald Trump, anunciar na véspera que vai impor tarifas de 25% sobre todos carros importados para os Estados Unidos, de forma “permanente”, até o final de seu mandato.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse “lamentar profundamente” a decisão de Washington, e acrescentou que o bloco europeu vai salvaguardar seus interesses econômicos.
“A indústria automotiva é um motor de inovação, competitividade e empregos de alta qualidade, por meio de cadeias de suprimentos profundamente integradas em ambos os lados do Atlântico. Como eu disse antes, tarifas são impostos — ruins para as empresas, piores para os consumidores igualmente nos Estados Unidos e na União Europeia“, declarou a chefe do braço executivo do bloco.
Com a medida, o governo americano espera arrecadar US$ 100 bilhões em receitas fiscais. O preço final para consumidores, no entanto, pode aumentar significativamente, já que metade de todos os veículos vendidos nos Estados Unidos vem de outros países.
Von der Leyen acrescentou que os 27 Estados-membros vão avaliar o anúncio, juntamente com outras medidas que os Estados Unidos planejam para os próximos dias, incluindo a aplicação de “tarifas recíprocas” a partir de 2 de abril. O instrumento funciona como uma forma de retaliação comercial: os Estados Unidos passarão a cobrar sobre importações estrangeiras o mesmo percentual de taxas que esses países aplicam sobre produtos americanos.
Problemas para a indústria
O ministro das Finanças da Alemanha, Robert Habeck, defendeu que “a União Europeia deve agora dar uma resposta firme às tarifas — deve ficar claro que não recuaremos diante dos Estados Unidos”.
A Associação Alemã da Indústria Automotiva prenunciou que a taxação é um “sinal fatal” para o comércio global e pediu “negociações imediatas” com os Estados Unidos. A poderosa indústria alemã já sofre com os altos custos de mão de obra, com o encarecimento da energia e, sobretudo, com a competição da China. Recentemente, a Volkswagen anunciou que, pela primeira vez, fechará três fábricas no país e cortará milhares de postos de trabalho. A Bosch, maior fornecedora de autopeças da Alemanha, planeja fechar até 10 mil vagas em todo o mundo, sendo que dois terços devem se concentrar na matriz. “Sem grandes mudanças, o potencial de crescimento de longo prazo da economia é extremamente limitado”, avaliou o banco Berenberg.
O ministro das Finanças da França, Eric Lombard, afirmou que o novo tarifaço representa “notícias muito ruins e um ato pouco cooperativo”, e também pediu que a União Europeia “aumente as tarifas sobre produtos americanos em resposta”. O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, deu uma resposta mais direta, simplesmente pedindo que os consumidores comprem carros espanhóis ou europeus.
Novas ameaças
Mas esses comentários não impediram Trump de ameaçar a União Europeia com ainda mais tarifas. Em um post em sua rede social, a Truth, ele afirmou que as taxas seriam “muito maiores do que as planejadas atualmente” se o bloco “trabalhar com o Canadá para causar danos econômicos aos Estados Unidos”.
“Se a União Europeia trabalhar com o Canadá para causar danos econômicos aos Estados Unidos, tarifas em larga escala, muito maiores do que as planejadas atualmente, serão impostas a ambos para proteger o melhor amigo que cada um desses dois países já teve!”, exclamou ele na postagem. A fala vem após Mark Carney, o novo primeiro-ministro canadense, tornar-se o primeiro líder do país a escolher um país europeu, e não os Estados Unidos, para sua primeira viagem internacional em meio à guerra comercial promovida por Trump.
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